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Paciência

Pode ser engraçado algumas vezes mas isso vem me incomodando ultimamente. Sempre que você precisa de algo estou aqui para te ajudar, disposta sempre a ouvir os seus problemas, suas noias ou mesmo as suas peripécias.

O problema não está no fato de te ouvir, pelo contrario gosto muito de ouvir, de escutar as pessoas, isso me dá até um certo fascínio.O problema é que não sinto a reciprocidade. Sempre que tento contar meus problemas ou minhas peripécias, você não dá importância e logo retorna contar os seus casos.

Meus problemas podem não ser tão interessantes quanto os seus, mas existem momentos em que eu realmente preciso desabafar e nunca te encontro disposta a me ouvir, ou quando não, começa a ouvir mas logo começa a falar de si. e infelizmente isso tem feito eu ficar cada dia mais distante de ti.

Pode demorar, porque eu descobrir que tenho mais paciência do que imaginava, mas eu vou cansar disso.E você não vai ter mais alguém para te ouvir.

Bloqueio

Por mais que eu tente escrever, não consigo.

Estou com um puta bloqueio. Não sai nada legal ou eu não consigo terminar os textos que começo.

¬¬’

mar adentro

Mar adentro, e na leveza do fundo.Onde se realizam os sonhos se juntam duas vontades para realizar um desejo.

Seu olhar e meu olhar como um eco repetindo,sem palavras.

Mais adentro, mais adentro.

Até mais além de tudo, pelo sangue e pelos ossos.

Mas eu acordo sempre e sempre, querendo estar morto. Para continuar com minha boca enredada em seus cabelos.

Sobre a renúncia

“.Renunciar a algo que amamos muito e que desejamos com toda a força do coração é uma das decisões mais cruéis de se tomar que conheço. Porque a perda equivale a uma morte dupla: morrer para alguém e matar a pessoa na gente. É como se sobrasse por dentro apenas um casarão vazio com um jardim morto. E, de repente, tudo tão subitamente anoitecido sem previsões de dia novo. É um caminhar lento e arrastado numa espera sombria de que as horas passem e o tempo leve essa febre alta sem medicação possível. É preciso que haja tanta paciência e firmeza por dentro pra não entrar em desespero, que a sensação que se tem é de estar meio fora do ar, com tanto esforço. E até chorar fica difícil, teme-se que nunca mais o choro cesse.

Há muitas perdas quando se termina algo que não se queria ter terminado: muda-se a auto-imagem, alegrias ficam suspensas, sonhos desaparecem por um tempo e nenhuma cor na paisagem. O cotidiano fica obscurecido por aquela lacuna aberta no meio do que era a parte mais interessante dos dias…”

Marla de Queiroz

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